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Por: Márcio Marques de Oliveira
Diretor Administrativo da Confederação Brasileira de Karate
Na história da civilização, sempre houve embates entre grupos que oscilam entre dois extremos:
1) Os que acreditaram e acreditam na conquista do sucesso via uso da força em busca de resultados imediatos, atropelando alguns ou muitos na consecução de seus objetivos.
2) Os que creram e crêem firmemente na luta pela evolução da sociedade e do indivíduo, sob a égide da sabedoria e do conhecimento harm6nico.
Com o karatedo ou karate ocorreu o mesmo.
Alguns o taxam como uma forma violenta e ultrapassada de combate, que sistematizada dentro de limites socialmente aceitáveis, transformou-se em esporte de competição.
Outros dele se valem para auferir lucros, sacrificando seus orientados e a essência dessa arte marcial através da manipulação de regras e preceitos antigos, beirando a mistificação.
Os mais idealistas pugnam pelo cultivo do modo de vida ligado à prática vivencial das artes marciais, valorizando o domínio corporal, mental e espiritual como pedagogia da superação de si mesmo em prol da sociedade em geral.
Em nossa época, plenas de responsabilidades enormes para com os menos favorecidos, com o meio ambiente devastado pela ação pretensiosa e utilitarista do ser humano e com a disseminação da violência nas relações humanas e a eclosão de guerras, qual será a melhor opção?
Entendemos que a prática diligente, responsável e conseqüente das artes marciais em geral, passa pelo aprimoramento gradual e permanente do ser humano, através do desenvolvimento da percepção, do auto conhecimento e do cultivo das chamadas virtudes marciais, com as quais aprendemos a construir ao enfrentar desafios e superar limites que nos ensinam a colocar o próximo no mesmo nível que a nós mesmos.
Segundo este ultimo enfoque, pode-se resgatar e desenvolver, com cuidado esmero e perseverança, aquilo que a velocidade de nossos tempos às vezes negligencia: o respeito profundo pela existência.
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